Mi#1 — Siba Veloso Responde
Um dos bastiões do movimento manguebit, Siba Veloso vem investindo na carreira solo desde a parceria com a Fuloresta do Samba, mas só agora com o lançamento do Avante, que ele dá as caras realmente sozinho. Apesar de ter vivido a efervescência dos anos noventa com forte tendência à mistura, Siba sempre teve, na verdade, os pés fincados na música tradicional do Estado. Nós escontramos com o músico na praça de Casa Forte e batemos um papo por cerca de uma hora sobre o passado, o momento presente, e alguns temas recorrentes na sua música. Você poderá conferir a entrevista completa na Mi#1, mas antecipamos um trecho por aqui enquanto a revista não sai.
MI — Você se considera um músico da cena independente?
Siba - Cara, essa questão do independente eu não sei nem mais o que significa. Independente começou com essa coisa de ser independente de gravadora, né?! Aí, quase já não existe mais gravadora, então não existe mais essa referência de ser dependente dela. Por outro lado, existe pouca vida sustentável abaixo do mainstream, tem muita dependência de dinheiro público em vários níveis, desde o local, estadual ao federal. Então, eu acho que quem realmente é independente no Brasil é a banda Calypso, galera que tá na rádio e que fecha bilheteria em lugar médio ou grande. Você ter uma relação com seu próprio público, você projeta seu trabalho e o seu público te sustenta.
Somos independentes no sentido de que não tem mais ninguém mandando a gente fazer o que acha que vai fazer sucesso pra vender, não tem mais o diretor de gravadora, o diretor artístico. Nesse sentido sim, cada um faz o que quer pra sobreviver. Mesmo quando fui da Sony, na época do Mestre Ambrósio, não tinha essa postura, a gente fazia o que queria, tinha um cara lá assinando direção artística, mas o disco foi pensado e feito por nós. Ainda hoje eu faço isso, esteticamente o conceito do meu trabalho eu realizo dentro das minhas limitações e dentro do meu sentido e nada mais, ninguém me manda.
O que fazer pra ser uma Ivete Sangalo?
Cara, a Ivete trabalha muito. Eu acho que tem que trabalhar pra caralho! Eu acho que tem que ter uma concepção de arte enquanto produto, e se ver enquanto produto.Tem certos formatos e certos tipos de produto, e tem que trabalhar uma vida inteira pra chegar nisso. Tem que ser perfeito nisso, e ela é perfeita nisso. E tem uma coisa que é um segredo pra esse tipo de artista, que é pra qualquer um, porém mais pra um artista que pretende se comunicar para uma multidão, assim… Tem um troço chamado carisma, que é um segredo total… E eu não sei se aprende, velho!
É uma coisa muito louca porque ao mesmo tempo em que eu tô dizendo isso, tem artistas que conseguem isso e que eu olho assim e digo: não tem um pingo de carisma! E têm na verdade, porque as pessoas acreditam naquilo. Se você tem 100 mil pessoas é porque rola um carisma… porque senão não teria. Pode investir, pode ter gravadora, dinheiro, clipe, disco, rádio e o caralho, mas não vai. Tem um lance que uns vão e outros não vão, e uns vão mais que os outros. Eu chamo de carisma. E isso é um mistério total, mistério total!
Pra saber um pouco mais sobre Siba, visite o site oficial.