Mi#1 — Kalouv Responde
A Kalouv é uma banda nova da cena pernambucana, formada por integrantes jovens, mas já com alguma bagagem. Digo isso porque, antes mesmo de serem uma banda, eles sempre consumiram a cena, seja vendo shows, comprando discos, etc. Encontramos com duas partes do quinteto, Saulo e Túlio, no centro histórico do Recife, local onde todos presenciaram e continuam presenciando tantos shows e eventos. Tivemos um papo de mais de uma hora, no qual falamos sobre música instrumental, mercado independente, passado, presente e futuro da Kalouv. Você poderá conferir o papo completo na Mi#1, mas antecipamos um trecho por aqui enquanto a revista não sai.
Mi — Por que escolheram fazer música instrumental?
Túlio — Acho que é uma escolha meio natural hoje em dia, nós já crescemos num ambiente com a internet, tendo mais facilidade de conhecer coisas diferentes. Mas, antes da gente já tinha um pessoal que fazia instrumental em Recife, eu me lembro muito bem de Alehv de Bossa e Monodecks que é uma coisa até recente. Já escutávamos também muitas bandas gringas da cena instrumental, vimos que era possível fazer e a gente gosta muito de trilha sonora de cinema. Quando a banda começou com Bruno e Saulo fazendo as músicas na casa de Bruno, a ideia deles era fazer um som mais pro pós-rock, que por natureza não tem vocal. Quando eu e Basílio entramos na banda, enchemos a paciência da galera, principalmente porque uma tendência muito forte de quem faz música instrumental é ir pra Explosions In The Sky ou Mogwai, é uma muito natural.
No caso de Basílio, que escuta jazz e samba, não dava pra chegar nele e dizer, escuta isso aqui e segue a mesma vibe deles. As duas primeiras músicas gravadas foram Waves e a música que virou Agripa depois, antes era Lights Dispelling Opacity, que estão na demo. Eles me mostraram, eu já escutava muita música, eu tinha O Tráfico (blog), já viajava em instrumental, aí entrei pra banda. Mas antes eu tocava violão, não sabia se ia conseguir fazer o que eles estavam pensando. A gente começou a ter umas discussões, uns debates ideológicos. Foi também um lance estético a escolha pelo instrumental, que ainda está se moldando, isso vai se estabilizar mais quando estivermos gravando as músicas novas, do nosso próximo disco. Foi mais por uma questão de influência mesmo.
Como vocês veem a cena da música instrumental no Estado de Pernambuco?
Túlio - Tá rolando bem, né? Junto com a gente tem duas bandas massas que estão surgindo, são Mabombe e Fitrah, apesar de que tão chegando agora, todo mundo já teve banda antes. E a Joseph Tourton está em todo lugar, melhores 2010 e tudo, acho que está sendo bem vista. Tem o pessoal da Epcos que é do caralho também, inclusive Rodrigo está dando uns toques pra Rennar de bateria, e com isso ele tá evoluindo muito! Nós estamos sempre querendo aprender, temos muita vontade de tocar com essa galera. Se surgir uma banda amanhã diferente da nossa em instrumental e quiser tocar com a gente… a gente topa, temos muita vontade de trocar ideias, participar do processo criativo um do outro, isso é importante.
Para conhecer um pouco mais o trabalho da banda instrumental Kalouv, visitem a página no soundcloud do grupo.
